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Opinião | Filha do Mal


Dizem que a crítica norte-americana ficou horrorizada com o terror. Parte do público também. O boca-a-boca afastou a presença dos cinéfilos das sessões do filme logo na sua segunda semana em cartaz - passou de 1º para 7º lugar nas bilheterias -. Mas nenhum desses fatores são positivos para "Filha do Mal". O filme é ruim sim. E não no bom sentido.

Retrata a história de Isabella Rossi, interpretada pela brasileira Fernanda Andrade, que almeja descobrir a verdade sobre o passado da mãe Maria (Suzan Crowley) e inicia uma investigação particular para descobrir porque ela matou três pessoas nos Estados Unidos há 20 anos durante uma sessão de exorcismo. Ela recorre a um cinegrafista para documentar seus achados e ruma para a Itália, onde a mãe está internada em uma clínica psiquiátrica. Lá, se envolve com dois jovens padres realizadores de rituais exorcistas e acaba sendo tragada para esse horripilante universo.

Aderindo à onda mais rentável do momento - das "filmagens encontradas" -, a trama documental explora todas as artimanhas desse filão, inaugurado lá atrás com "Bruxa de Blair" e recentemente subaproveitado pela franquia "Atividade Paranormal". Ou seja, você já vai ao cinema sabendo o que vai ver. Nesse quesito, "Filha do Mal" não decepciona e entrega tudo o que promete, conforme o trailer adianta.

É um festival de gritos, esperneamentos, descabelamentos, olhos virados, dedos retorcidos, câmeras tremidas, e tudo mais que se possa extrair de um filme de exorcismo está lá. Vez ou outra até consegue acometer alguns sustos nos mais desavisados. O problema é que esses clichês do gênero não são bem executados. Tudo é exagerado, forçado e repetido à exaustão. Não teve contrado estipulado com Suzan Crowley, a intérprete da mãe endemoniada, que determinasse uma certa quantidade de palavras em latim a serem faladas pelas atriz ou quantas caretas sua personagem deveria fazer. Mas parece que houve.

Por mais familiarizado e entusiasta do gênero que você seja - pois é, conheço gente apreciadora desse tipo de filme -, não tornará sua experiência com "Filha do Mal" menos cansativa. Para piorar, nem no final da projeção somos recompensados. O longa termina praticamente zombando da cara dos espectadores, com um desfecho sem graça, nada satisfatório.

A campanha promocional do filme alega se tratar de um filme que o Vaticano não quer que você assista. Bem, a Instituição religiosa está certíssima. Você não deveria assistí-lo mesmo.


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